A Arte e a Ciência do século XX

            Ate o inicio do século XX, a Arte retratava a natureza de forma estruturada, procurando reproduzi-la tal como era vista, tentando respeitar proporções e cores, além de preservar determinados padrões estéticos. Essa rigidez também era encontrada na Ciência, que estava presa a uma visão mecanicista do Universo. Nos primeiros anos de 1900, houve profundas transformações, não apenas científicas como também artísticas. Na Arte foi infundida uma maneira mais livre de expressão, retratada nos diversos movimentos que foram se sucedendo. Na Ciência, a visão mecanicista foi sendo substituída por uma perspectiva mais sistêmica, representada por teorias inovadoras, como a da Relatividade. Podemos tentar entender as transformações desse movimento histórico nas primeiras décadas do século XX.

           Contemporâneos da teoria da relatividade de Einstein (1905), o brasileiro Santos Dumont (1873-1932) e o espanhol Pablo Picasso (1881-1973) também mostraram seus talentos. Ao observar o 14-bis com seus sete cubos, por exemplo, podemos ser levados a pensar que a criatividade de Santos Dumont teve influência da arte cubista.

           A imprensa mundial noticiou o feito inédito: Alberto Santos Dumont levanta vôo com um aparelho mais pesado que o ar, sem o auxílio de um balão. Era 23 de Outubro de 1906, e o 14-bis se ergueu a mais de 2 metros do solo, ao longo de 60 metros, durante aproximadamente 7 segundos. O 14-bis precisava de 200 metros de pista para decolar e atingia uma velocidade de cerca de 40 km/h no ar, e foi em 16 de novembro de 1907 que, Santos Dumont fez o primeiro vôo com seu 19º avião, o revolucionário Demoiselle.

         Paralelamente, Picasso rompeu com os padrões da pintura da época ao entrar em sua fase cubista, com o famoso quadro Les demoiselles d’Avignon (1907), em que propôs uma nova perspectiva e a decomposição da figura.

        O início do século XX foi um período de grandes transformações. Nas artes plásticas, sucederam-se os movimentos contestadores dos modelos vigentes: o cubismo, dadaísmo, expressionismo e surrealismo, sendo cada um representado por seu modelo característico.

        A Física também passou por uma profunda mudança no início do século XX com uma importante revisão dos modelos básicos. Nesse período surgiram a teoria da relatividade e a Física Quântica que, assim como os movimentos artísticos da época, romperam com alguns paradigmas vigentes. Contrapondo o determinismo, a certeza e os processos contínuos ressaltados pela Física Clássica, passou-se a uma interpretação da natureza que valorizava a probabilidade, a incerteza e os processos discretos na Física Moderna.

            Mas o que teria impulsionado essas mudanças na Física?

          A busca de um modelo perfeito que descrevesse o mundo real foi uma ambição perseguida pela Física Clássica.

           As descobertas cientificas dos séculos XVI ao XIX, em especial as contribuições de Galileu e de Newton, na Mecânica, de Kelvin e de Boltzmann, na Termodinâmica, e de Faraday e Maxwell, no Eletromagnetismo, fizeram que o mundo fosse visto de outra forma. A influência da religião sobre a Ciência foi afetada, pois não era mais possível negar os resultados obtidos cientificamente por meio da relação experimento-teoria.

          A evolução da Ciência nesses séculos, amparada principalmente pelas Leis de Newton e de Maxwell, ajudaram a construir uma visão mecanicista, segundo a qual a natureza seria como uma máquina em funcionamento. Nesse contexto, prevalecia o pensamento determinista, em que qualquer fenômeno seria previsível, desde que se conhecesse a causa determinante.

          As ideias efervescentes desse período refletiram em diferentes áreas do conhecimento humano. Na literatura, o Realismo propunha a eliminação da tendência subjetiva do autor em favor de um relato mais real da natureza. O Naturalismo procurava retratar as reações humanas como conseqüências de suas características genéticas e socioambientais. O positivismo, do francês Auguste Comte (1798-1857), acreditava que era possível o planejamento e o desenvolvimento da sociedade e do indivíduo seguindo os critérios das ciências exatas e biológicas.

         No final do século XIX, alguns cientistas pensavam que todas as questões centrais da Física estavam resolvidas, havendo somente problemas pontuais para serem melhorados. Entretanto, foi uma dessas questões, a distribuição de energia da luz emitida por corpos negros que iniciou uma grande revolução na Física na forma de interpretar a natureza.

      Vários estudos, especialmente os desenvolvidos pelo físico alemão Max Planck, que possibilitaram chegar ao entendimento atual sobre os corpos negros.

      Outro experimento que levantou duvida sobre a natureza da radiação eletromagnética e corroborou com a teoria dos quanta de luz foi feito pelo físico Heinrich Hertz, em 1887. A esse fenômeno, da incidência de radiação, foi dado o nome de efeito fotoelétrico, que mais tarde (1905) foi explicado por Albert Einstein através da ideia de quantização da energia indicada por Planck.

         Assim, o início do século XX trouxe duas abordagens diferentes para explicar a natureza da luz. A teoria ondulatória, da Física Clássica e, a teoria corpuscular, da Física Moderna que, em 1924, o físico francês Louis de Broglie expandiu a ideia da dualidade da luz para toda a matéria, com o nome de dualidade onda-partícula, trazendo com a Física Quântica uma nova interpretação da natureza.

         A impossibilidade de determinar com certeza a natureza das radiações e das partículas, aliada à falta de exatidão na previsão de um movimento, descaracteriza a ideia determinista, defendida pela Física Clássica. Coincidência ou não, nota-se certo alinhamento dos novos “olhares” da Física com os movimentos da Arte do mesmo período.

         Referencias Bibliográficas:

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REIS, José Claudio; GUERRA, Andreia; BRAGA, Marco. Ciência e arte: relações improváveis? 2006. disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v13s0/04.pdf>. Acesso em: 27 set. 2015.

Autora do texto: Bruna Alves

 


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