Wetlands construídos: uma alternativa sustentável para o saneamento descentralizado

Wetlands construídos: uma alternativa sustentável para o saneamento descentralizado

Por: Guilherme Gavlak e Carlos Raphael Pedroso

O acesso ao saneamento básico é essencial para a saúde pública, a conservação dos recursos hídricos e a qualidade de vida da população. Apesar de sua importância, muitas comunidades rurais e localidades afastadas dos centros urbanos ainda enfrentam dificuldades relacionadas à coleta e ao tratamento dos esgotos domésticos, principalmente pela ausência de redes convencionais de esgotamento sanitário. Nesse sentido, o tratamento descentralizado de esgotos domésticos no Brasil aponta como uma das soluções para ampliar o atendimento e reduzir as deficiências existentes no setor (FERREIRA et al., 2021).

Entre as tecnologias que podem ser empregadas nesse contexto estão os wetlands construídos, sistemas de tratamento que utilizam a interação entre plantas, microrganismos e materiais filtrantes. Esse tipo de sistema integra mecanismos físicos, como filtração e sedimentação, químicos como adsorção e precipitação e também biológicos, como a oxidação microbiana, biodegradação e fitorremediação. Portanto, resulta-se numa elevada remoção de matéria orgânica, nutrientes e outros contaminantes (HASSAN et al., 2021). Além disso, os wetlands construídos podem apresentar vantagens relacionadas à simplicidade operacional, ao consumo reduzido de energia e à integração com o ambiente, características que favorecem seu uso em determinadas situações de saneamento descentralizado (MONTEIRO, 2009).

Com a proposta de aproximar os conhecimentos teóricos das aplicações práticas da Engenharia Ambiental, os professores Guilherme Gavlak e Carlos Raphael Pedroso, do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), ministraram o minicurso “Wetlands”, durante a IX Semana de Estudos Ambientais e Florestais que aconteceu entre os dias 25 e 29 de maio de 2026.

Durante a manhã, foram apresentados os princípios de funcionamento dos wetlands construídos, os mecanismos envolvidos no tratamento e os principais benefícios ambientais associados à sua utilização. Também foram discutidos os critérios básicos para o dimensionamento dos sistemas, considerando aspectos como a escolha das macrófitas, os materiais utilizados como substrato, as condições de escoamento e a necessidade de adequar o projeto às características do local de implantação.

No período da tarde, os participantes passaram da discussão teórica para a atividade prática, que envolveu a coleta de macrófitas em campo e a montagem de um sistema experimental de wetlands construídos. Para a construção da estrutura, foram utilizadas bombonas de 200 litros e sobras de tubulações provenientes da construção civil, materiais que puderam ser reaproveitados na montagem do sistema. A iniciativa demonstrou, na prática, como recursos disponíveis podem ser utilizados no desenvolvimento de estruturas didáticas e experimentais, além de estimular a reflexão sobre o reaproveitamento de materiais e a busca por soluções compatíveis com as condições de cada localidade. A etapa prática também possibilitou aos participantes conhecerem algumas das decisões envolvidas na implantação de um sistema de tratamento, desde a seleção dos materiais e das plantas até a montagem da estrutura.

Dessa forma, o minicurso “Wetlands” proporcionou aos participantes uma oportunidade de conhecer os fundamentos e acompanhar a construção de um sistema de tratamento baseado em processos naturais. A iniciativa contribuiu para ampliar a compreensão sobre as possibilidades de utilização dos wetlands construídos no saneamento descentralizado, especialmente em áreas rurais e comunidades que não dispõem de redes convencionais de esgotamento sanitário. Ao integrar conhecimento científico, atividade prática e reaproveitamento de materiais, a ação reforça o compromisso da universidade com a formação acadêmica e com a divulgação de alternativas que podem contribuir para a proteção dos recursos naturais e a melhoria das condições de saneamento.

Referências

FERREIRA, M. M.; FIORE, F. A.; SARON, A.; SILVA, G. H. R. Systematic review of the last 20 years of research on decentralized domestic wastewater treatment in Brazil: state of the art and potentials. Water Science and Technology, v. 84, n. 12, p. 3469–3488, 2021. DOI: https://doi.org/10.2166/wst.2021.487.

HASSAN, I., CHOWDHURY, S. R., PRIHARTAT, P. K., & RAZZAK, S. A. Wasastewater treatment using constructed wetland: Current trends and future potential. Processes, v. 9, n. 11, p. 1917, 2021

MONTEIRO, R. C. M. Viabilidade técnica do emprego de sistemas tipo wetlands para tratamento de água cinza visando o reúso não potável. 2009. Dissertação (Mestrado em Engenharia Hidráulica) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.

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