A Educação Ambiental (EA) deve ser compreendida como um processo permanente, crítico e acessível a todos, sem distinção. Nesse contexto, a compostagem — técnica utilizada para transformar resíduos orgânicos em composto — destaca-se não apenas como estratégia de gestão ambiental, mas também como um recurso pedagógico multissensorial, capaz de engajar diferentes estudantes por meio de experiências práticas (SZABÓ JÚNIOR, 2010).
Segundo Rocha e Baptista (2015), a prática da compostagem em ambientes escolares possibilita a abordagem de conceitos científicos complexos de maneira concreta, favorecendo a inclusão de alunos com deficiência visual, intelectual ou dificuldades de aprendizagem. O manuseio da terra, a percepção de odores, a observação da ação dos microrganismos e o acompanhamento da transformação da matéria orgânica ampliam as formas de compreender o fenômeno.
No âmbito da educação inclusiva, a composteira funciona como um laboratório vivo, superando a barreira da abstração ao oferecer estímulos táteis, olfativos e visuais. Para assegurar a aplicabilidade pedagógica, Rocha e Baptista (2015) sugerem a seguinte sequência didática:
- Levantamento dos Saberes Prévios: O primeiro contato ocorre por meio de uma explanação oral (pelo professor ou mediador) sobre a definição e diferenciação de resíduos orgânicos e inorgânicos. Explicar o que é composto orgânico e sua aplicabilidade na composteira. O objetivo central é diagnosticar o conhecimento prévio dos alunos sobre o tema.
- Montagem e Estrutura: A segunda etapa foca na composição da composteira. Os alunos aprendem sobre os elementos essenciais para sua formação como direção do vento, drenagem e superfície e têm contato direto com os materiais necessários para a construção do sistema.
- Manutenção e Observação: A terceira etapa promove o cuidado contínuo, abordando os conceitos básicos para conduzir as fases da compostagem. Ao observarem o processo, os alunos acessam o fenômeno da decomposição e identificam a atuação de microrganismos, como as minhocas e insetos, na eficácia do sistema.
Essa experiência tátil com diferentes texturas das folhas secas ao composto úmido estimula o desenvolvimento cognitivo e motor. Conforme aponta Lisbôa (2020), a EA necessita de metodologias que conectem o sujeito ao meio de forma direta. Ao participarem ativamente, os alunos deixam de ser espectadores e tornam-se agentes de transformação, compreendendo na prática o ciclo da vida.
Por: Angelo Sarna
REFERÊNCIAS
LISBÔA, J. M. Educação Ambiental e Educação Inclusiva: um diálogo necessário. RELACult – Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade, v. 6, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.claec.org/index.php/relacult/article/view/1686. Acesso em: 08 dez. 2025.
ROCHA, Lia; BAPTISTA, Adélia. Como fazer compostagem na escola. [S. l.: s. n.], 2015. E-book. Disponível em: https://livrandante.com.br/livros/lia-rocha-adelia-baptista-como-fazer-compostagem-na-escola/. Acesso em: 08 dez. 2025.
SZABÓ JÚNIOR, Adalberto Mohai. Educação Ambiental e Gestão de Resíduos. 3. ed. São Paulo: Rideel, 2010. E-book.

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