
O acesso à água potável de qualidade é um direito fundamental e essencial para a saúde humana. Muitas instituições no Brasil, especialmente aquelas localizadas em áreas sem abastecimento público, dependem de poços artesianos ou semiartesianos para suprir suas necessidades hídricas. Entretanto, a água proveniente dessas fontes, embora geralmente apresente boa qualidade físico-química, pode estar vulnerável a contaminações microbiológicas que comprometem sua potabilidade.
O Sistema de Cloração Simplificado
O sistema de cloração por dosadores automáticos representa uma solução eficiente e economicamente acessível para pequenas instituições. Utilizando princípios hidráulicos básicos, é possível realizar a adição controlada e proporcional de hipoclorito de sódio à água captada do poço. A estrutura é composta por tubulações de PVC, conexões, registros de controle e reservatórios que facilitam o monitoramento visual.
Segundo Richter e Azevedo Netto (2009), a cloração é o método mais eficaz e economicamente viável para desinfecção de água em pequenos sistemas de abastecimento. O hipoclorito de sódio é amplamente disponível no mercado e de fácil aplicação, características que o tornam ideal para instituições com recursos limitados.
A Portaria GM/MS nº 888/2021 do Ministério da Saúde estabelece que a água para consumo humano deve manter concentração de cloro residual livre entre 0,2 e 2,0 mg/L no sistema de distribuição (BRASIL, 2021). Sistemas simplificados, quando corretamente dimensionados, atendem plenamente a essa exigência.
Vantagens do Sistema
A implementação de sistemas de cloração de baixo custo apresenta múltiplas vantagens: o investimento inicial é reduzido, utilizando materiais facilmente encontrados em lojas de construção; a manutenção é simples e não requer conhecimentos técnicos especializados; garante desinfecção contínua da água, eliminando microrganismos patogênicos; e proporciona autonomia à instituição.
Ferreira et al. (2016) destacam que tecnologias simplificadas, como o clorador por difusão montado com tubos de PVC, são ideais para comunidades afastadas. Essas soluções, validadas em campo, dispensam bombas elétricas complexas e tiveram boa aceitação por não alterarem o sabor da água, permitindo que a própria comunidade realize a manutenção.
Educação Ambiental e Tecnologia Social
A implementação de sistemas de tratamento de água em instituições representa uma importante oportunidade para ações de educação ambiental. Dias (1998) destaca que a educação ambiental deve ser um processo contínuo e permanente, voltado para a formação de cidadãos conscientes de seu papel na proteção e melhoria do ambiente.
Essa prática se alinha ao conceito de Tecnologia Social. Segundo Dagnino (2010), a tecnologia social compreende produtos, técnicas e metodologias transformadoras, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representam soluções efetivas para a inclusão social. O clorador simplificado materializa esse conceito: resolve um problema vital (água potável) utilizando o saber técnico adaptado à realidade local.
Krasilchik (2005) enfatiza a importância de práticas que promovam a compreensão das relações entre ciência, tecnologia e sociedade. Assim, o sistema serve como um “laboratório vivo”, demonstrando como conhecimentos técnicos podem resolver problemas concretos.
Considerações Finais
Sistemas simplificados de cloração representam uma alternativa vital para instituições que necessitam garantir água potável com recursos limitados. A experiência demonstra que é possível desenvolver soluções eficientes quando há integração entre o conhecimento técnico-científico e as necessidades reais da comunidade, validando o papel da universidade e da extensão na disseminação dessas tecnologias.
Por: Angelo Sarna
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021. Altera o Anexo XX da Portaria de Consolidação GM/MS nº 5, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 85, p. 127, 7 maio 2021. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-888-de-4-de-maio-de-2021-318461562. Acesso em: 9 dez. 2025.
DAGNINO, R. Tecnologia social: ferramenta para construir outra sociedade. 2. ed. Campinas: Komedi, 2010. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/717502498/2009-Dagnino-Tecnologia-Social. Acesso em: 9 dez. 2025.
DIAS, G. F. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 1998.
FERREIRA, D. C. et al. Avaliação de cloradores simplificados por difusão para descontaminação de água de poços em assentamento rural na Amazônia, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 21, n. 3, p. 767-776, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/ZTJg75P3MCFkzznqsdBVcFC/?lang=pt. Acesso em: 9 dez. 2025
KRASILCHIK, M. Prática de Ensino de Biologia. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005.
RICHTER, C. A.; AZEVEDO NETTO, J. M. Tratamento de água: tecnologia atualizada. São Paulo: Blucher, 2009.
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