ECOBARREIRAS: Educação Ambiental e cuidado com o rio da Antas

ECOBARREIRAS: Educação Ambiental e cuidado com o rio da Antas

Por:  Caroline Kozak

O caminho de uma embalagem descartada nas ruas pode terminar dentro de um rio. Transportados pelo vento e pela água da chuva, os resíduos sólidos chegam aos cursos d’água e comprometem a paisagem e os ecossistemas aquáticos. Compreender esse percurso é um passo importante para reconhecer a relação entre os hábitos cotidianos e a conservação dos recursos hídricos, e, portanto, sobre o impacto de nosso dia-a-dia na natureza.

É nesse contexto que houve a implantação de uma ecobarreira no Rio das Antas, em Irati (PR), com a participação de estudantes de Engenharia Ambiental da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). O projeto busca associar a contenção de resíduos sólidos com a conservação de boa qualidade dos recursos hídricos e a educação ambiental, aproximando a formação acadêmica de um problema presente no município. Ao fim, a conscientização dos cidadãos iratienses sobre o descarta inadequado do seu lixo, é o objetivo maior.

As ecobarreiras são estruturas físicas flutuantes destinadas a interceptar parte dos resíduos que se deslocam pela superfície da água, promovendo sua contenção e, então, facilitando sua retirada (Ferreira; Gonçalves; Pinheiro, 2024). Podem ser, inclusive, construídas de material reciclável (Santiago et al., 2025). Seu funcionamento depende de instalação adequada, acompanhamento e limpeza periódica, além da, posterior, destinação correta dos materiais recolhidos. Embora contribuam para a retenção de resíduos flutuantes, essas estruturas não removem todos os poluentes nem substituem as ações de prevenção da poluição. Em período de muita chuva, a ecobarreira de estrutura mais simples pode tornar-se ineficiente, por não cumprir o barramento total dos resíduos, devido ao aumento da vazão do rio.

Garcia et al. (2023), em uma experiência realizada no ribeirão Alambari, em Cambará (PR), associaram a construção e instalação dessas estruturas a atividades educativas e à classificação dos materiais recolhidos. A experiência evidencia o potencial dessa abordagem para aproximar os estudantes dos problemas ambientais locais e estimular a reflexão sobre o descarte de resíduos e a conservação dos rios.

Além da função de contenção, a ecobarreira oferece uma oportunidade de aprendizagem (Carvalho; Cardoso; Cobo,2023). A observação dos materiais retidos permite discutir quais resíduos chegam ao rio, suas possíveis origens, e como o descarte inadequado se relaciona com o padrão de consumo, os hábitos ambientalmente (in)conscientes e a gestão dos resíduos na cidade. Uma garrafa, uma sacola ou uma embalagem passa, assim, a ser também um ponto de partida para refletir sobre a responsabilidade de cada pessoa no cuidado com o ambiente.

Para os estudantes, a proposta possibilita conectar os conhecimentos de sala de aula à realidade local, articulando temas como recursos hídricos, saneamento, resíduos sólidos e educação ambiental, conforme preconiza a Política Nacional de Educação Ambiental (BRASIL, 1999). Além disso, a transmissão do conhecimento à sociedade é uma oportunidade de aperfeiçoamento do profissional que está sendo formado. A aproximação com “o mundo real” reforça a formação de profissionais atentos tanto às soluções técnicas simples, eficientes e de baixo custo, quanto à participação e a responsabilidade compartilhada da sociedade na prevenção dos problemas ambientais.

Ao trazer o Rio das Antas para o centro dessa discussão, o projeto busca estimular um olhar mais atento para os rios urbanos e para a relação da população com esses espaços. Mais do que recolher o que já chegou à água, a iniciativa convida à reflexão sobre como evitar que novos resíduos percorram o mesmo caminho. O cuidado com o rio começa também nas escolhas e atitudes adotadas em terra.

   

Referências

BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1999. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm. Acesso em: 20 out. 2026.

CARVALHO, Marcelo Caldas Rocha de; CARDOSO, Marisa; COBO, Valter José. Ecobarreira no rio Capivari, em Campos do Jordão, serra da Mantiqueira paulista: uma prática de educação ambiental. Revista Biociências, v. 29, n. especial, 2023. Disponível em: https://periodicos.unitau.br/biociencias/article/view/3749. Acesso em: 20 out. 2026.

FERREIRA, Jackline da Silva; GONÇALVES, Paula Glysia Gomes dos Santos; PINHEIRO, Érika Cristina Nogueira Marques. A importância da ecobarreira na remoção de resíduos sólidos flutuantes nos igarapés de Manaus – estudo de caso: igarapé do Coroado. Revista Foco, v. 17, n. 10, e6575, p. 1–19, 2024. DOI:https://doi.org/10.54751/revistafoco.v17n10-110.

GARCIA, Thiago Deruza et al. Ecobarreira como prática para Educação Ambiental na despoluição do ribeirão Alambari, no município de Cambará (PR). Revista Brasileira de Educação Ambiental, São Paulo, v. 18, n. 1, p. 492–506, 2023. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/revbea/article/view/13846. Acesso em: 20 out. 2026.

SANTIAGO, João Vitor Alves et al. Desenvolvimento de ecobarreiras utilizando material reciclado. Tudo é Ciência: Congresso Brasileiro de Ciências e Saberes Multidisciplinares, n. 3, p. 1–8, 2025. DOI: https://doi.org/10.47385/tudoeciencia.1812.2024.

 

 

 

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